Tuesday, March 01, 2011

Ficando cada vez melhor à medida que envelhece: Clint Eastwood e a Meditação Transcendental


Por Mario Orsatti, em Maio de 2010, Transcendental Meditation Blog


As pessoas que envelhecem bem são uma inspiração - especialmente para mim, que cheguei aos 60.

Clint Eastwood é, certamente, um óptimo exemplo. Aos 62 anos, Eastwood ganhou o seu primeiro Óscar pelo filme Unforgiven. Depois, como muitos realizadores acreditam, com a idade, ele apenas foi ficando mais forte e melhor, trilhando um caminho espantoso de sucessos criativos.

Eastwood tem agora 79 anos, e desde o seu primeiro Óscar, fez já 15 filmes - três dos quais foram nomeados para Melhor Filme. (O seu filme mais recente, Invictus, teve duas nomeações para o Óscar da Academia). Eastwood foi também nomeado para Melhor Realizador ou Melhor actor outras 4 vezes. E também colabora frequentemente na música dos seus filmes.

É claro que eu gosto de pensar que a sua prática da Meditação Transcendental tem tido algo a ver com isto. Numa recente edição da  revista GQ, Clint Eastwood foi questionado sobre a sua prática da MT.

Ainda medita?

Duas vezes por dia.

Em que é que a meditação lhe é útil?

Funciona muito bem. Sou religioso quanto a ela quando estou a trabalhar. Acredito em qualquer ajuda que possamos encontrar para nós próprios... Portanto, a meditação, comigo, é uma coisa de auto-confiança. Pratico-a há quase quarenta anos.

Eastwood revelou publicamente a sua rotina diária de MT nos anos 1970, altura em que apareceu no Merv Griffin Show com o fundador do Programa de Meditação Transcendental, Maharishi Mahesh Yogi. Desde então, tem desfrutado calmamente da prática da MT.

Acho incrível a quantidade de pessoas que praticam a Meditação Transcendental todos os dias, ano após anos. Penso que sei como  elas se sentem, e porquê passam este tempo a transcender todos os dias - porque os faz sentir mais vivos, mais recompostos, e mais capazes de seguir em frente e crescer.

Faz-me lembrar algo que Maharishi escreveu no seu livro, Ciência do Ser e Arte de Viver:

"A expansaõ da felicidade é o propósito da vida, e a evolução é o processo através do qual ela se verifica...
'Se alguém não é feliz, então perdeu o próprio propósito da vida. Se alguém não está constantemente a desenvolver a sua inteligência, poder, criatividade, paz e felicidade, então passou ao lado do próprio propósito da vida. A vida não é para ser vivida em apatia, com falta de empenhamento, e em sofrimento; estas coisas não pertencem à natureza essencial da vida" 

O Ioga Sutra da Paz

Por Thomas Egenes, PH.D. 30 de Setembro de 2010
Tradução minha


No
 Ioga Sutra, o primeiro dos oito membros do Ioga designa-se Yama. Yama tem cinco aspectos, começando por ahimsa, que quer dizer 'não-ferimento' ou 'não violência'. O Mahatma Ghandi tornou o ahimsa famoso quando mobilizou toda a Índia para se libertar da dominação britânica sem disparar um tiro. Martin Lutjer King, Jr., o líder do movimento dos direitos civis nos EUA, foi um entre muitos dos que foram influenciados por Ghandi e pelo seu uso de ahimsa para conseguir a mudança social sem violência.
O Ioga Sutra descreve o que acontece quando uma pessoa está estabelecida no 'não-ferimento': "onde o não-ferimento está estabelecido, na vizinhança disso, as tendências hostis são eliminadas". (2.35)

Em sânskrito: ahimsa-pratishthayam tat-sannidhau vaira-tyagah. A tradução palavra por palavra é: "onde o não-ferimento (ahimsa) está estabelecido (pratishthayam), na vizinhança (sannidhau) disso (tat), as tendências hostis (vaira) são eliminadas (tyagah).

De acordo com o Ioga Sutra, onde está estabelecido o 'não-ferimento'? No estado de ioga, que é definido no segundo sutra do Ioga Sutra, como o completo aquietar da actividade da mente. A mente quieta, a mente estabelecida em ioga, está livre de ferimento, e o Ioga Sutra afirma que, para esta pessoa, o ambiente torna-se livre de hostilidade. S. Francisco de Assis, por exemplo, era famoso por acalmar as pessoas e até os animais em seu redor apenas pelo poder do amor. Um indivíduo que tem a mente cheia de paz irradia uma influência de paz, e portanto, cria uma realidade que é pacífica.

Ter ou não ter - essa é a questão?



Sócrates
No nosso país, após a revolução do 25 de Abril, houve uma classe de pessoas que se quis acrescentar às muito poucas famílias a que Salazar deu o privilégio de poderem "ter", de serem economicamente abastadas, quando congeminou o sistema do condicionamento industrial, criando monopólios e protegendo-os de uma sã concorrência, que é a característica de uma economia de mercado.

Aquela classe de pessoas, ao tempo da ditadura, até podiam ter ideais de justiça social e de liberdade e, sem dúvida, muita dessa gente contribuiu para a criação das novas condições políticas de democracia instaurada após a revolução dos cravos. Mas lá no fundo, germinava ao mesmo tempo uma revolta e uma aspiração a poderem vir a partilhar uma parte do bolo do poder económico e social com a antiga casta intocável da ditadura.

Tudo isto está assente no mais básico do ser humano que, resumidamente, se pode designar como a procura da felicidade. Infelizmente, e com o passar do tempo e da prática democrática no novo regime, o aspecto que veio a vingar foi, e dada a dificuldade em implementar os ideais mais nobres do ser humano (a palavra utopia passou a ter uma conotação depreciativa, quando antes era motivo de mobilização e exaltação), aquilo que foi vencendo foi o segundo aspecto - uma vez desistidos da utopia, haveria então que procurar a felicidade na tal partilha do bolo, na procura do "ter". Mas como este "ter" nunca satisfaz totalmente o ser humano (depois do fiat vem o ford, depois o jaguar, depois o ferrari, depois o rolls royce...etc), aquilo que se foi estabelecendo  foi o domínio do aparelho de estado para satisfazer esta fome insaciável de mais e mais poder, mais e mais riqueza.

Temos, portanto, hoje, a par das velhas famílias ricas, uma nova classe de gente na política e no estado e suas empresas, completamente afastada da realidade do resto do povo, da maioria da classe média que vê a vida a deteriorar-se ao longo dos anos, após um primeiro período em que obteve melhorias de vida significativas.

A tendência actual é, assim, o aprofundamento enorme do fosso entre os mais ricos e os mais pobres, o endividamento insustentável do país e o amadurecimento duma situação social e política de crise grave.

Tudo isto se deve à procura da felicidade lá onde ela não pode ser encontrada de forma durável. No mundo das coisas materiais tudo é transitório e o "hipe" do poder tende cada vez mais a transformar-se em desastre pessoal para a vida dos envolvidos que verão o seu nome na lama, depois de serem atirados para práticas cada vez mais imorais e mesmo ilegais para satisfazer o seu "drive" infinito para mais e mais...

Ter ou não ter - será a questão?
Shakespeare deixou outra afirmação à humanidade, muito mais certa, muito mais verdadeira quanto àquilo que está na base da verdadeira satisfação humana. "Ser ou não ser - eis a questão!".
Muito antes dele, nos alvores da humanidade, a tradição védica, tinha-nos já legado esta mesma ideia e conhecimento sobre quem é o homem, qual o objectivo da sua vida, onde se pode procurar aquela satisfação e prazer que são duráveis e que não nos levam de prazer em prazer mundano, como folhas ao sabor do vento, sem rumo ou destino nem verdadeiro conhecimento da real natureza humana.

Depois dela, verdadeiros marcos do conhecimento humano em várias tradições culturais repetiram-no vezes sem conta para quem quisesse ouvir: Sócrates (o original), Platão, Confúcio, Buda, Jesus Cristo, Shankara, etc., etc.

Na actualidade, tivemos até há muito pouco tempo, Swami Brahmananda Sarasvati e Maharishi Mahes Yogi, que nos deixaram uma forma prática e fácil de chegar ao tal Ser, de o experimentar diariamente, e de o incorporar, através da prática regular da técnica de Meditação Transcendental, na prática da nossa vida diária.
Budha

Jesus
Neste aparente beco sem saída a que chegámos como povo e como projecto, há pois uma luz ao fundo do túnel! A melhor forma de lidar com as questões práticas da vida de uma pessoa ou de um povo, é retirarmo-nos primeiro para o silêncio do nosso Ser interior, tal como o arqueiro, que para atirar a seta à maior distância, a puxa primeiro no arco alguns centímetros para trás. Quando o fazemos regularmente, e quando isso passa a fazer parte da nossa rotina de vida, estamos a estabelecer um novo paradigma de acção, em que a luz desse Ser ilumina naturalmente o conjunto da nossa actividade, tanto a nível individual como colectivo. Com menos stress e mais luz interior, a vida torna-se mais fácil, os problemas, quaisquer que eles sejam, dissolvem-se nas soluções simples e naturais que nos surgem de dentro.

Maharishi
Talvez , portanto, esta crise em que estamos todos a deixar que a nossa consciência desague, seja o novo ponto de partida para um novo projecto de povo, um projecto que, no entanto, se tem mantido sempre na alma dos mais sensatos e sensíveis de entre os nossos melhores. Muitos políticos, por esse mundo fora, estão a entrar nesta nova consciência da realidade. Mais tarde ou mais cedo, e, quanto mais não seja, por arrasto, também os nossos políticos acordarão para a nova e velha realidade, que está aí mesmo, dentro de si! Esse será o momento, o "turning point", em que a política será a arte da felicidade, de criar a felicidade do povo e deixar que a felicidade invada a vida privada e a vida social, cumprindo-se assim a razão da vida: ser feliz!

Maharishi: a nova voz!

Humbolt, Sep., 1970

 Maharishi: ... o Prana é naturalmente refinado (durante a MT). Não temos que fazer nada para o refinamento do prana - o prana é refinado naturalmente. 
Com todas estas experiências que estamos a ter a nível pessoal, percebemos que Patanjali apenas advocou a Meditação Transcendental. Esta é a alma de todos os iogas. Esta é a filosofia do ioga. Nós não somos responsáveis pelas interpretações erradas do smadhi e se as interpretações erradas se tornaram comuns em todo o lado, apenas podemos lamentar toda esta situação e começar a refrescar toda a atmosfera.


Se toda a gente passou a estar errada... alguém me disse na Índia - numa palestra aberta como esta - ele disse "Você quer dizer que todos estes santos que têm existido estavam errados e que somente você está certo?" Eu disse "Quando olho para a vossa vida só posso concluir que esta nova voz está certa. E todas as velhas vozes, venham de onde venham, devem ter vindo do campo da ignorância".


Nós não sabemos quem o disse, mas quem quer que seja que advocou a concentração, o controlo, necessidade de desapego, de renúncia do mundo para a iluminação, quem quer que fosse, ele não sabia do que estava a falar. (risos)
Quem quer que seja - pode até ser uma encarnação de Deus a falar a partir do céu, mas nós diremos, páre por favor. (risos) Vamos ouvir a voz da terra.


Toda a coisa está a ser mal interpretada. Interpretações erradas dos Vedas, dos Upanishads, Gita, de toda esta filosofia do Vedanta, filosofia do Ioga - toda esta questão está metida numa trapalhada que nós esperamos, com esta voz de renascimento - e este (MT) é um sistema tão natural e simples para dar a experiência da realidade interior - que a situação mude e o entendimento mude, mas é uma tarefa que necessita de tempo e devoção...  

A devoção a Deus acontece no nível do Ser, não no nível do pensar, Humbolt, 1970.

P: Na introdução que faz ao seu comentário ao Gita, o senhor salientou, sobre Shankaracharya,  que "na ausência do sol, tomam lugar as estrelas mais pequenas" e eu gosto muito dessa frase.

MAHARISHI: você gosta porque é verdade. Todos os dias podemos ver que quando o sol se põe, as estrelas tomam o seu lugar. Essa é a nossa experiência de todos os dias. Todos os dias, no céu, isto continua a acontecer.

P: Na ausência de Shankara, da forma como ele expôs o Vedanta, estarão Ramanuja e os outros (comentadores) correctos?

MAHARISHI: O principal erro de Ramanuja e Madva e todos os outros foi o de menosprezarem a percepção transcendental. Ao advogarem a devoção, eles menosprezaram esta consciência pura e estabeleceram o seu campo da devoção no nível de 'pensar em Deus' - cantando a Deus, rezando a Deus, pensar a toda a hora em Deus.

A devoção é algo do campo do Ser. Vivemos isso na vida. Não temos necessidade de dizer "amo-te tanto" e não temos que passar o tempo a dizer "amo-te tanto". O amor é uma coisa no nível da vida. Nós vivemos isso... vivemos isso espontaneamente - particularmente, o amor ilimitado cujas ondas são tão grandes que chegamos a sentir o toque de Deus.

O amor é uma coisa da vida. Está no nível do Ser. E desligar o Ser do campo da devoção é levar a devoção a perder a base... é como construir um castelo no ar. Não é possível. Não é possível estabelecer o campo da devoção independentemente da percepção pura.

Quando estas pessoas começaram a expôr sobre a devoção, elas limitaram-se a permanecer no nível do elogio de Deus. Se a nossa consciência estiver saturada da consciência de bem-aventurança, se o o nosso coração e mente estiverem cheios com aquela consciência pura, então a canção de Deus é apenas uma onda de bem-aventurança.

Só quando a consciência é universal, é que estes cânticos e estas preces têm um significado, ao contactarem com aquele campo do Todo-Poderoso. Caso contrário é apenas pensar e glorificar o banco, mas permanecendo no mercado. Choramos pelo banco, ficamos no mercado e pensamos no banco e telefonamos para o banco e elogiamos o banco e fazemos todo o tipo de coisas na rua do banco. Mas se não entramos no banco, o banco não nos vai ser particularmente útil.

Quando estas pessoas depois de Shankara começaram a glorificar a devoção, eles não salientaram este aspecto da consciência transcendental, e devido a isso, os seus seguidores, mesmo que embalados numa predisposição para a devoção, sentiram algumas ondas de felicidade nesses estados de espírito, mas não conseguiam chegar à iluminação que a devoção traz - não conseguiam chegar à Consciência de Deus, que é a meta de toda a devoção.

E, portanto, eles não duraram. "eles não duraram" quer dizer, o seu ensinamento permaneceu ineficaz - apenas permaneceu ineficaz. E as pessoas foram dissuadidas de continuar a desperdiçar o seu tempo chorando por Deus ou querendo a Deus ou todo o tipo de coisas que foram catalogadas de prática devocional, mas que resultaram em estados de auto-convencimento. É um desperdício de vida...

Brahman

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"Fica em paz, porque Brahman é paz. E faz com que a tua acção tenha a natureza de Brahman. Porque, fazendo tudo como sendo uma oferta a Brahman, tornar-te-ás instantaneamente Brahman. O Senhor habita em tudo. Ao realizar todas as tuas acções como uma oferenda a Ele, brilha como o Senhor adorado por todos. Torna-te um verdadeiro sanyaasi (renuncia), abandonando firmemente todos os pensamentos e noções; assim libertarás a tua consciência.

O cessar de todos os pensamentos e noções ou imagens mentais e o cessar do pesado condicionamento psicológico são o Ser supremo de Brahman. Preserverar para alcançar este fim é conhecido tanto como ioga como sabedoria (Jñaana); a convicção de que Brahman é tudo, incluindo o mundo e o "Eu", é conhecida como 'oferecer tudo a Brahman'.

Brahman é vazio dentro e vazio fora (indiferenciado e homogénio). Não é um objecto de observação, nem é diferente do observador. O aparecimento do mundo (aparência do mundo) surge nele como uma sua parte infinitesimal. Porque o mundo é, de facto, apenas uma aparência, é na realidade vazio, sem nada e irreal (não-real). Misteriosamente, surge em tudo isto um sentimento 'Eu', que é infinitesimal em comparação com a aparência do mundo"

- O Senhor Krishna quando dá instruções a Arjuna no campo de batalha, O Supremo Ioga, Uma Nova Tradução do Ioga Vasistha. (com os agradecimentos ao Jorge Angelino)
"Fica em paz, porque Brahman é paz. E faz com que a tua acção tenha a natureza de Brahman. Porque, fazendo tudo como sendo uma oferta a Brahman, tornar-te-ás instantaneamente Brahman. O Senhor habita em tudo. Ao realizar todas as tuas acções como uma oferenda a Ele, brilha como o Senhor adorado por todos. Torna-te um verdadeiro sanyaasi (renuncia), abandonando firmemente todos os pensamentos e noções; assim libertarás a tua consciência.

O cessar de todos os pensamentos e noções ou imagens mentais e o cessar do pesado condicionamento psicológico são o Ser supremo de Brahman. Preserverar para alcançar este fim é conhecido tanto como ioga como sabedoria (Jñaana); a convicção de que Brahman é tudo, incluindo o mundo e o "Eu", é conhecida como 'oferecer tudo a Brahman'.

Brahman é vazio dentro e vazio fora (indiferenciado e homogénio). Não é um objecto de observação, nem é diferente do observador. O aparecimento do mundo (aparência do mundo) surge nele como uma sua parte infinitesimal. Porque o mundo é, de facto, apenas uma aparência, é na realidade vazio, sem nada e irreal (não-real). Misteriosamente, surge em tudo isto um sentimento 'Eu', que é infinitesimal em comparação com a aparência do mundo"

- O Senhor Krishna quando dá instruções a Arjuna no campo de batalha, O Supremo Ioga, Uma Nova Tradução do Ioga Vasistha. (com os agradecimentos ao Jorge Angelino)

Friday, July 09, 2010

CONHECIMENTO VÉDICO

“Estabelecido no estado de Ioga, ó Dhanandjaya (o que alcança a riqueza) – Arjuna-, tendo abandonado o apego e tendo ganho o equilíbrio no sucesso e no fracasso, pois que ao equilíbrio da mente se chama Ioga, realiza as acções.”

O texto acima é uma tradução da estrofe 48, segundo capítulo, do Poema do Senhor (Bhagavad Gita), “parte da maior epopeia da Índia e do Mundo: Mahabarata (Grande Ìndia), que contém 100 mil estrofes, formadas por 400 mil versos, distribuídos por 18 Livros e que, a par do Ramayana, constitui a arquitectura épica da monumentalidade linguística da Índia. O Bhagavad Gita, podemos considerá-lo, é um concentrado de toda a sabedoria védica (contida nos Vedas) e o núcleo da espiritualidade hindu. “De todos os textos sagrados da humanidade, não há provavelmente outro que seja tão grande, tão completo e tão curto” – alguém disse”. (António Barahona)


Abaixo, transcrevo o comentário de Maharishi Mahesh Yogi a esta estrofe do Bhagavad Gita.

“O Ioga, ou união da mente com a inteligência divina, começa quando a mente adquire a consciência transcendental; o Ioga alcança a maturidade quando esta consciência transcendental de bem-aventurança, ou Ser divino, conquista terreno na mente a um ponto tal que, seja qual for o estado em que se encontra, quer em vigília ou no sono, ela se mantém estabelecida no estado de Ser. É a este estado de iluminação perfeita que o Senhor se refere no início da estrofe, quando diz: ‘Estabelecido no estado de Ioga’. No fim da estrofe ele define ‘Ioga’ em relação à acção como ‘equilíbrio da mente’. Este estado de equilíbrio da mente é o resultado do contentamento eterno que surge com a consciência de bem-aventurança. Não é adquirido criando um estado de espírito de equanimidade na perda e no ganho, como a generalidade dos comentadores pensou.
O Ioga é a base de uma vida integrada, um meio de colocar em harmonia o silêncio criativo interior e a actividade exterior da vida, e uma forma de agir com precisão e sucesso. Estabelecido no estado de Ioga, Arjuna será estabelecido na realidade última da vida, que é a fonte da eterna sabedoria, poder e criatividade.
Parte do treino para alguém que queira ser um bom nadador consiste na arte de mergulhar. Quando conseguimos manter-nos com sucesso no fundo da água, então, nadar na superfície torna-se fácil. Toda a acção é o resultado do jogo da mente consciente. Se a mente é forte, então a acção é também forte e bem sucedida. A mente consciente torna-se poderosa quando os níveis mais profundos do oceano da mente são activados durante o processo da Meditação Transcendental, que conduz a atenção da superfí-cie da mente consciente até ao campo transcendental do Ser. O processo de mergulhar no interior é o caminho para se ficar estabelecido no estado de Ioga.
Quando o senhor Krishna diz que, tendo passado por este processo, Arjuna devia vir para fora e agir, ele está a dar-lhe a mecânica da acção bem sucedida. Para disparar um arco com sucesso, é preciso primeiro puxar a seta para trás, dando-lhe assim grande energia potencial. Quando a seta é puxada para trás o mais possível, então ela tem o maior poder dinâmico.
Infelizmente, a arte da acção exposta aqui pelo senhor Krishna a Arjuna, parece ter desaparecido da vida prática nos nossos dias. Isto acontece por, durante muitos séculos, devido à falta de uma interpretação correcta destes versos, ter sido considerado difícil conduzir a mente até ao Ser e permanecer estabelecido no estado de Ioga. É, de facto, perfeitamente fácil conduzir a atenção ao campo do Ser: apenas temos que deixar a mente mover-se espontaneamente do campo grosseiro da experiência objectiva, através dos campos subtis do processo de pensar, até à realidade última e transcendental da existência. À medida que a mente se move nesta direcção, começa a experimentar uma atracção maior em cada passo, até chegar ao estado de consciência de bem-aventurança transcendental.
A recompensa por trazer a mente a este estado está em que a pequena mente individual cresce até ao estatuto da mente cósmica, elevando-se acima de todos os seus defeitos e limitações. É como um pequeno homem de negócios que enriquece e atinge o estatuto de multimilionário. As perdas e ganhos do mercado, que antes o influenciavam, já não têm efeito nele que se eleva muito naturalmente acima da sua influência.
O Senhor quer que Arjuna aja, mas pretende que ele, antes de iniciar a acção, adquira o estatuto de mente cósmica. Esta é a sua bondade. Quando uma pessoa rica quer que o seu filho inicie um negócio, ela não quer, normal-mente, que ele comece em pequena escala, porque sabe que, dessa forma, as pequenas perdas e ganhos terão influência no seu querido filho, fazendo-o sentir-se mal, ou feliz, por pequenas trivialidades. Portanto, dá-lhe o estatuto de pessoa rica e, então, pede-lhe que inicie o negócio a partir desse nível. O senhor Krishna, como pai bondoso e capaz que é, aconselha Arjuna a atingir o estado de inteligência cósmica e então agir a partir desse elevado estado de liberdade na vida.
Uma pessoa não se pode manter em equilíbrio na perda e no ganho se não estiver num estado de contentamento duradouro. Aqui, o Senhor está a pedir a Arjuna que obtenha esse estado de contentamento duradouro através de uma experiência directa de bem-aventurança eterna e transcendental. Ele não está a aconselhar um mero estado de espírito de equanimidade. O estado de bem-aventurança transcendental no Ser eterno é tão auto-suficiente que, na sua estrutura, é absoluto. É plenitude de vida, perfeição de existência e, portanto, completamente desligado de tudo o que pertence ao campo relativo, completamente livre da influência da acção.
Quando o Senhor diz: ‘Tendo abandonado o apego’, ele quer dizer tendo ganho este estado do Ser eterno, que é, na sua totalidade, separado e desligado da actividade. E quando ele diz: ‘Tendo ganho o equilíbrio no sucesso e no fracasso’, quer dizer tendo atingido a estabilidade neste estado do Ser eterno.
A prática regular da Meditação Transcendental é o caminho directo para ascender ao estado do Ser transcendental e estabilizá-lo na própria natureza da mente, de modo que, quaisquer que sejam os envolvimentos nos conflitos inerentes às diversidades da vida, a estrutura de unidade em liberdade eterna é naturalmente mantida e a vida não se perde dela própria”.

A definição de Ioga resumida na estrofe do Bahgavad Gita e o comentário e desenvolvimento da responsabilidade de Maharishi Mahesh Yogi, fornecem-nos a chave para a utilização do pleno potencial da mente humana – 100% do valor relativo e 100% do valor absoluto. Como dois lados da mesma moeda, estes dois valores da experiência podem e devem estar presentes na mente consciente. Tal como a raiz de uma árvore, escondida na terra, a sustenta e constitui a base estável dessa árvore, também o valor absoluto sustenta e é a base estável de todos os aspectos relativos (visíveis) da vida. Viver a vida apenas com a consciência do nível relativo da actividade é viver uma vida em ignorância da totalidade. É viver com uma consciência mais ou menos desenvolvida dos aspectos visíveis e observáveis, mas sem a consciência do aspecto invisível e inobservável – o Ser. A experiência do Ser é a experiência do que observa. Ioga é a experiência estabilizada e unificada do Ser que observa e dos objectos da experiência do campo relativo da vida. Ioga é um estado de vida integrado, em que ambos os aspectos da consciência, relativo e absoluto, estão presentes, por oposição ao estado limitado de ignorância, em que apenas está presente a consciência de aspectos parciais, ou ilusórios, da realidade. Devido a problemas de educação, o campo do Ser tem estado afastado da experiência individual, originando mentes limitadas e incapazes de abarcar a essência da realidade. Este facto está na origem da frustração e infelicidade que singram no seio dos povos da Terra. Na origem da ignorância, da ganância, da arrogância, da prepotência, mas também do medo, da miséria humana, da indignidade.

Os problemas sociais têm origem na ignorância individual. Pode dizer-se que o estado do mundo é que cegos são governados por cegos. O sistema de educação, na generalidade das nações, promove o conhecimento proporcionado pela experiência dos sentidos e ignora o conhecimento proporcionado pela experiência do Ser puro e transcendental. O conhecimento de apenas um lado da moeda está na origem do desentendimento entre povos, da desconfiança generalizada e do medo que são responsáveis por guerras sempre novas, terrorismo e todas as chagas sociais.

Este desconhecimento acontece, como disse, devido a uma deficiente educação; como afirma aqui Maharishi, por ter sido considerado difícil conduzir a mente até ao Ser e permanecer estabelecido no estado de Ioga. Devido à deficiência de interpretação, a experiência do Ser foi considerada muito difícil de conseguir. Considerou-se, assim, que só alguns, muito poucos, o poderiam conseguir, usando para isso a reclusão ou ascetismo e afastando-se do resto da sociedade.

A tradição de mestres védicos do conhecimento, plenamente incorporada na vida de Sri Guru Dev, Swami Brahmananda Saraswati, Jagadguru, Bhagwan Shankaracharia de Jyotir Math, nos Himalayas, e iluminadamente transmitida ao mundo por Maharishi Mahesh Yogi, surge-nos, neste novo milénio, na fórmula da Meditação Transcendental e do Programa de MT-Sidhis, como a chave para a desmistificação de que o conhecimento da totalidade da realidade suprema é apenas para alguns eleitos, retirados em mosteiros, mesquitas, sinagogas, pagodes, ou grutas nos Himalayas.

Este conhecimento surge, na sua própria dignidade, como a real oportunidade de democratização da verdadeira educação, a educação plena do indivíduo, em que o conhecimento dos objectos dos sentidos é obtido à luz da experiência do sujeito do conhecimento, do conhecedor, o Ser eterno e omnipresente. A experiência do Ser na mente individual é fácil e simples e pode ser obtida por qualquer pessoa, independentemente do seu nível de poder, riqueza ou conhecimento intelectual. Esta é a oportunidade da nossa era. Este conhecimento do conhecedor, o védico samitha de Rishi, Devata e Chandas, a unidade de conhecimento que constitui o conhecimento do conhecedor, o conhecimento do conhecido e o conhecimento do processo que liga o conhecedor ao conhecido, é o libertador por excelência de todas as competências que conduzem à acção correcta espontânea.

É a ausência do conhecimento do conhecedor que é responsável pelas acções erradas. A nossa história provou já à saciedade que não são as injunções de carácter moral nem os códigos éticos e comportamentais das várias religiões, nomeadamente a judaico-cristã, que conseguem garantir essa acção correcta. Apesar de terem muitas vezes o seu comportamento balizado e limitado (tanto a nível consciente como inconsciente) por tais códigos, a verdade é que, ao longo de milénios, as nossas sociedades têm permanecido na senda do comportamento individual e social errado. Apesar das advertências para fazer o bem, o homem continua a deixar-se dominar pelo mal. Não parece haver lei nem código que resista a esta tendência para o mal que se manifesta a todos os níveis da sociedade. Com isto não quero dizer que os códigos e leis sejam, em si, maus. Não. O que falta é a educação total do indivíduo, única forma de levá-lo a agir correctamente, quer a nível individual, quer a nível social, ecológico, etc. Só a experiência do Ser puro, transcendental, omnipotente e omnipresente, ao nível da consciência individual, e a sua estabilização em todos os outros estados de consciência, vigília, sono e sonho, pode garantir o sucesso na acção. E esse sucesso surge de forma espontânea com a prática regularda Meditação Transcendental, facilmente e sem esforço.

Thursday, May 13, 2010

Líderes políticos apoiam a Meditação Transcendental

O mundo anglo-saxónico, que (para o bem e para o mal ) inclui os países mais determinantes na condução dos destinos do nosso mundo (Reino Unido e Estados Unidos), vê emergirem novos protagonistas políticos com uma característica: são praticantes e/ou apoiantes da Meditação Transcendental.

Tanto Nick Clegg (novo Vice-Primeiro Ministro de Inglaterra) como William Hague (ex Tory Líder e novo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Sua Majestade) deram recentemente entrevistas em que confirmam a sua prática da técnica de Meditação Transcendental.

Já durante a sua campanha para Presidente dos EUA, Barack Obama, posava junto ao Mayor de Fairfield, Iowa, e grande entusiasta da técnica, ostentando uma gravata com o desenho da bandeira do País Global da Paz Mundial, organização criada por Maharishi Mahesh Yogi, o fundador da Meditação Transcendental.

Todas as condições estão agora criadas para que rapidamente se consigam atingir os números de 1% de praticantes da técnica de MT, ou a raiz-quadrada de 1% de praticantes em grupo das suas técnicas avançadas, cientificamente calculados para que o efeito de coerência (Efeito Maharishi) gerado nos faça entrar numa nova fase no mundo, transitando rapidamente para aquilo a que os Vedas designam como Sat Yuga, ou Era da Iluminação, prevista e inaugurada por Maharishi Mahesh Yogi em 1975.

A Meditação Transcendental é uma técnica de meditação introduzida no ocidente pelo sábio hindu Maharishi Mahesh Yogi, após ter, ele próprio, recebido o conhecimento do seu mestre, Swami Brahmananda Sarasvati, o Shankaracharya dos Himalaias, Índia. Pratica-se durante 20 minutos, de manhã e à tarde no conforto das nossas casas. A sua característica fundamental é ser fácil de aprender e fácil de praticar, proporcionando o acesso, duas vezes ao dia, ao nível silencioso da consciência, Consciência Transcendental ou Ser, que é a fonte de todo o pensar e de toda a acção.

Os seus benefícios em vários campos da vida são documentados em mais de 600 estudos científicos levados a cabo nas principais universidades, estando publicados nas principais revistas científicas mais de 300 destes estudos revistos inter-pares.
As investigações mais recentes comprovam os seus efeitos positivos na redução da tensão arterial alta, da diabetes, da ansiedade e da depressão, e no síndrome de hiperactividade das crianças, bem como o desenvolvimento da inteligência e o estímulo da actividade mental, melhorando as ligações e a informação entre as várias partes do cérebro.

Grandes vultos mundiais das artes e da cultura, como o ex-Beatle Paul McCartney, o realizador de culto David Lynch, o músico Moby, o filantropo e líder da cultura hip-hop Russell Simmons, o comediante Jerry Seinfeld, o líder da banda Pearl Jam, Eddie Vedder, a cantora Sheryl Crow, o físico quântico John Hagelin, etc., têm-se destacado na divulgação da MT, especialmente nos EUA, onde participaram, no Radio City Hall de Nova Iorque, em Abril de 2008, num concerto para recolha de fundos para a - David Lynch Foundation for Consciousness-Based Education and World Peace, cujo objectivo é ensinar a MT a 1 milhão de crianças em risco. Muitas outras personalidades mundiais são praticantes assumidos da MT. Como o caso de Clint Eastwood que recentemente, numa entrevista, afirmou praticar a Meditação Transcendental há quase 40 anos.

A Meditação Transcendental está recentemente a ser introduzida num programa designado por "tempo de silêncio" nas escolas públicas e privadas de muitos países, como forma comprovada de eliminar o stress em meio escolar e criar as condições para a melhoria de rendimento escolar dos alunos, bem como melhorar significativamente o ambiente nas escolas, tanto entre alunos como entre professores e pessoal assistente. Também em Portugal se estão a dar os primeiros passos neste domínio.

Recentemente, têm sido reactivadas actividades que usam a MT como instrumento para a reabilitação e reinserção social de presos em várias prisões de alta segurança nos EUA e outros países. Está a ser desenvolvida investigação nesta área que comprova a eficácia desta meditação.


A partir de agora está facilitada a disseminação da MT, uma vez que será mais fácil desmentir algumas ideias que ligam a MT a misticismo ou religião. De facto, a Meditação Transcendental não é religião nem as pessoas precisam de abdicar da sua própria religião e convicções filosóficas ou práticas culturais. Antes pelo contrário, muitos sacerdotes das principais religiões, praticam-na regularmente como forma de aprofundarem as experiências espirituais no âmbito da sua fé. Do mesmo modo, praticam a MT agnósticos e ateus, obtendo exactamente os mesmos efeitos benéficos desta forma de meditação.


Friday, May 07, 2010

Rosas cor-de-rosa junto à piscina


As rosas, tinha-as visto por ali, plantadas num canteiro que bordejava a piscina. A sua característica principal era serem cor-de-rosa límpido, especialmente quando o sol, conseguindo fazer chegar os seus raios por entre a abundante vegetação de palmeiras, ameixeiras bravas, aloé-veras e outras árvores e arbustos que se agarravam aos socalcos que desciam até ao terraço da piscina, se plasmava nas pétalas, dando-lhes aquela cor tão fresca e sedutora. Sim, já tinha reparado nelas e já lhes tinha prestado parte, pelo menos, da homenagem que mereciam, de tão lindas, tão simples…

Mas naquele dia, havia já alguns minutos (horas?) que toda a vida à minha volta se me apresentara de outro modo, nova. Após um período matinal de meditação, sentia-me como se não tivesse saído dela. Enquanto meditava, a mente fluiu livremente em direcção a cada vez menos de si mesma e a cada vez mais de silêncio e luz interior. Luz de consciência, de vida vívida, de prazer sem limite, e silêncio de pura calma, de relaxamento saboroso e energia total disponível em simultâneo. Experiência marcante.

Ao sair da meditação, ali estava o mundo, aquele pequeno mundo da casa da Rua da Arriaga, de terraços a dar para o jardim que descia como que para o Tejo. As paredes da casa, rosa velho, as escadarias do rés-do-chão ao piso inferior, o terraço aí, em calçada portuguesa, continuando a descer, o relvado verde bem aparado, ao lado direito, o lago com peixes, e, descendo mais, a zona densa de vegetação a refrescar o jardim, a grande árvore ao centro… acedia-se ao terraço da piscina onde, em apontamento, estava um canteiro de rosas. Mas, tudo isto era agora uma nova visão. Realmente, ver é acreditar, como diz o mestre.

O sol iluminava todo o jardim. Seriam cerca das onze da manhã. Havia vários perfumes que, à vez, me estimulavam as narinas inebriadas. Inspirei profundamente antes de descer os vários lances de escadas e, ainda os pulmões se não tinham esvaziado, a comoção profunda assaltou-me o corpo, que se arrepiou, e as lágrimas soltaram-se dos olhos em abundância. Uma palavra enchia-me a mente: felicidade! “É incrível! Eu estou realmente a viver isto!”, pensei, enquanto ensaiava alguns passos, na intenção de me dirigir para baixo, onde estavam os outros. As lágrimas continuaram a correr-me pela face à medida que andava. Não andava. Deslizava, sem peso nem atrito, pura inércia gerada na vontade simples.

Os verdes eram cheios de vida e cada gota de água que ainda restava nas folhas da rega da manhã falava comigo como uma bola de cristal, íntima, como família. Abelhas entregavam-me todo o seu amarelo nítido enquanto pairavam em roda dos seus néctares. Esses que também eu absorvia como aromas do paraíso. Pássaros. Dois melros roliços brincavam comigo falando-me desde os seus bicos doirados. Cada passo novo um novo mundo. Uma leve brisa entregava-me algumas flores que esvoaçavam a dar-me as boas-vindas. Eu era aquilo! Tudo aquilo era eu e vibrava dentro de mim, gritando uma unidade grande! Tão grande!

Ao descer os últimos degraus, as rosas. O canteiro teria uns 3 a 4 metros de largura. De um lado ao outro, emergiam caules verdes com nódulos e espinhos, alguns acastanhados. No topo, aqueles cálices delicados, botões semi-desabrochados, cor-de-rosa, iluminados. Debruçado sobre eles, bebi-lhes o cheiro e a cor até estar saciado do perfume e da imagem tão forte e, simultaneamente, tão subtil daqueles seres celestiais ali plantados para iluminar toda a minha vida naquele momento. No terraço da piscina plasmava-se o sol claro do céu azul de Lisboa, convidando a um mergulho.

E os colegas conversaram comigo, vindo-me de dentro, na evidência de serem eu, falando-me em ioguis que nadam, na posição de lotus, como peixes no Ganga sagrado. O Carlos T mostrou-me como era.

Tuesday, March 02, 2010

Criação da Paz Mundial Permanente

O que fazer? Como, então, criar a paz?

Pergunto-me se alguém que está em guerra consigo mesmo pode ser um contributo válido para a paz mundial.

Já aos 18 anos fazia esta pergunta a mim mesmo, embora no período revolucionário me tivesse deixado arrastar para o jogo político das organizações que existiam (e existem ainda) cuja especialidade era terem receitas mais ou menos racionais, mas superficiais, para a criação de uma sociedade melhor, mais igualitária, mais feliz. Fi-lo sempre contrariado, mas porque não encontrava alternativas a este paradigma.

Falavam-me então, em ioguis que tinham capacidades anormais (sidhis), ou paranormais, ou super normais, etc. Todo esse mundo dos ioguis me fascinouu desde muito cedo. Mas havia a questão sacramental... "se eles têm assim tanto poder, porque não contribuem de forma eficaz para a criação de um mundo melhor, de maior realização pessoal e social?" "São egoistas", pensava eu! Remetem-se ao isolamento sem se preocuparem com o estado do mundo.

Eis senão quando dou de caras com um desses ioguis, um iogui verdadeiro, daqueles que se iluminam nas montanhas dos Himalaias, que vivem em paz, no contacto directo com os deuses. Mas este iogui era diferente de outros que conhecera, também grandes homens despojados, empenhados no bem. Este trazia a solução que eu procurava. O seu projecto era, através da disseminação global de uma técnica de meditação muito simples, mas muito eficaz, criar Paz no indivíduo, como única forma possível de criar Paz no mundo.

Como criar uma floresta verde, se as suas árvores não forem verdes?

O seu anúncio, em 1975 (estávamos em Portugal em pleno PREC), da inauguração do amanhecer de uma nova Era, a Era da Iluminação, para todo o planeta, e a descoberta posterior do meu Ser interior a través da Meditação Transcendental, do crescimento de cada vez mais paz dentro de mim, comigo mesmo, fez-me render totalmente a este projecto de dimensões difíceis de imaginar. Afinal sempre surgira um iogui com poderes tais, que, sozinho, sem posses, sem ambições que não fossem trazer a sua própria paz aos outros, aos outros de todo o mundo ("trago-vos a minha paz, dou-vos a minha paz", lembram-se?) estava a criar um mundo novo.

E aqui estamos hoje, com a influência da nova Era a alastrar-se de forma cada vez mais visível, mais main stream (na altura tudo isto era visto pelo comum das pessoas como algo muito esotérico, ameaçador, estranho). Não há outra solução. "O futuro é brilhante", disse Maharishi dias antes de nos deixar. A onda avassaladora de paz e iluminação, de invencibilidade para todas as nações, está em marcha irreversível e já ninguém a pode parar! Que bom!

Friday, January 01, 2010

A vida é bem-aventurança

Acabo de vir de umas compras de supermercado. Muita gente numa azáfama alegre fazendo os últimos aprovisionamentos do ano, enchendo carrinhos com bebidas várias para comemorar o Ano Novo. Vinho para a derradeira refeição (os mais pobres levavam vinho corrente, os mais remediados aventuravam-se em vinhos de nomeada, reservas, etc.), espumantes para comemorar a passagem (um homem careca alto apregoava a sua necessidade premente de um Murganheira Doce - eu prefiro o Bruto...), os "Mon Chéri" de que tanto gosto estavam no fim, mas ainda consegui uma caixa pequena. Muitos legumes, couves Penca (como lhe chamam lá no Norte, na minha terra, ou na dos meus familiares).

A azáfama das compras parece ter voltado, ainda que, possivelmente, por momentos. A crise era muito má, o pessoal ficou com medo e jogou à defesa, poupou, não comprou. A sensação parece ser a de que agora as coisas já não parecem tão mal como se faziam anteceder. O mundo não ruiu. Ainda estamos vivos, portanto, há que comprar, desfrutar, comemorar a vida que passa e que fica.

Estava tudo, muita gente, com as faces iluminadas. Sentia-se esperança e alegria no ar. Logo, a festança será de arrasar!

É bom observar esta alegria! O meu povo a sentir-se bem. Ricos e pobres (não é que eu aceite que tenha que haver pobres, antes pelo contrário). Até o rapaz cuja morada de todos os dias fica à porta do supermercado, um moço novo, inteligente, com algumas letras... mas totalmente virado do avesso pelo vício da droga, até ele, que ultimamente tenho visto a chorar àquela porta, estava de sorriso desfraldado, oferecendo-se jovialmente para levar carrinhos de compras aos porta-bagagens dos carros.

Meti-me na bicha longa, esperei enquanto gozava de toda aquela alegria no ar, paguei as minhas parcas compras de última hora (coisas para levar para a festinha em casa do irmão António) e saí para a chuva pesada que caía fora. Andei debaixo dela e do guarda-chuva até casa... parecia que voava (não, voava mesmo!) enquanto as palavras do Mestre me ecoavam sinfonicamente por dentro: "a vida é bem-aventurança"! Nunca é tarde para o descobrir. Bom Ano a Todos! 31 de Dezembro de 2009, 17h30.

The importance of the gap

There lived, I know not when, never perhaps -But the fact is he lived - an unknown king Whose kingdom was the strange Kingdom of Gaps. He was lord of what is twist thing and thing, Of interbeings, of that part of usThat lies between our waking and our sleep, Between our silence and our speech, between Us and the consciousness of us; and thus A strange mute kingdom did that weird king keep Sequestered from our thought of time and scene. Those supreme purposes that never reach The deed - between them and the deed undone He rules, uncrowned. He is the mystery which Is between eyes and sight, nor blind nor seeing. Himself is never ended nor begun, Above his own void presence empty shelf All He is but a chasm in his own being,The lidless box holding not-being's no-pelf. All think that he is God, except himself. Fernando Pessoa. ou... The importance of the gap!

Nirukt
The gap of the veda (that veda is)
Forward (Viakara) process of knowledge; and backward process of knowledge (Nirukta). São duas expressões. Marcha para a frente e marcha para trás.
Creation is from Atharva.
A memória é a parte mais importante.
Não esquecer a fonte, que é o objectivo de toda a marcha para a frente.
Yagya (Ya: perform Gya: conhecimento)
sama ved, yajur ved, atharva ved, rig ved

aknim

yoga is just sahmita, veda!

atharva ved knowledge

Excertos de MMY em vídeo

Wednesday, October 28, 2009

Karma ioga

Alguém que possa correr, também pode andar; e alguém que ande, pode ficar parado. O andar está contido no correr e o estar parado, no andar. Do mesmo modo, a mente em movimento (pensamentos) também pode ficar quieta - o silêncio está contido na mente que vagueia de pensamento em pensamento. Assim como aquele que anda tende a ficar parado em algum momento, também a mente tende naturalmente a ficar em silêncio. Alerta em silêncio é um estado de paz dinâmica, de pura potencialidade, a partir do qual todo o movimento pode ser gerado na mente e toda a acção é comandada.

Este silêncio, esta quietude é o centro de comando para a acção correcta espontânea. Dele brotam os pensamentos e destes, a acção. Aceder ao estado de consciência pura, de inteligência pura, de energia pura, de criatividade pura é aceder ao estado transcendental da consciência, que não muda, que está lá, sempre esteve lá e continuará a estar lá.

Cada onda que se ergue do mar, permanece mar sem deixar de ser onda. Ela é mais forte quanto mais mar extrair para se constituir como onda.

Cada pensamento, de igual modo, deve permanecer consciência pura, silenciosa do Ser e será tão mais forte quanto mais desta consciência contiver. A acção beneficia de pensamentos assim - torna-se naturalmente mais eficaz.

Este é o karma ioga da Meditação Transcendental - meditar para tornar a acção mais eficaz, mais correcta, mais poderosa.

Tuesday, June 16, 2009

O que é a Meditação Transcendental?


A Meditação Transcendental é uma técnica de meditação. A meditação não é religião, embora possa ser usada como prática espiritual nas várias religiões. Um exemplo: defender a vida humana não é religião, embora as religiões possam fazer essa defesa. Ou ainda, adoptar uma ou várias normas de comportamento não é religião, embora as religiões possam defender essas mesmas normas.

No caso da meditação, a situação é ainda mais clara. Trata-se de um processo psicofisiológico concreto. Dormir não é religião. Estar desperto não é religião. Sonhar não é religião. Meditar é adoptar um procedimento que dá acesso a um estado da mente/corpo, diferente do estar acordado, do dormir ou do sonhar, mas, ainda assim, um estado mental com uma correspondente fisiológica específica – um quarto estado de consciência. Este é o conhecimento da investigação mais moderna sobre o funcionamento da mente.

Meditação não é rezar, não é crer ou acreditar, não é pensamento positivo, não é uma moda new age. Para meditar não é necessário ter um deus, qualquer deus. Não é necessário uma igreja ou seita. Ateus, agnósticos ou crentes de qualquer fé podem meditar com o mesmo sucesso, e beneficiar dos efeitos positivos desta prática.

Meditação não é uma prática de grupo isolado, não impõe estilos nem rotinas específicas de vida, não exige mudança de convicções, nem é só para alguns ou para ascetas em reclusão. A meditação é - deve ser - para todos! Desde que se possa pensar, pode-se meditar. Todos podem ter acesso aos benefícios para a vida que a ciência comprova na prática diária da meditação.

Numa expressão curta, a meditação aquieta a mente. Diminui a actividade da mente. É um estado de simplicidade da mente. A mente quieta produz um corpo relaxado. Mente quieta, mas alerta, desperta. No sono profundo, a mente está quieta, mas não alerta – não há consciência. Na meditação, a mente está quieta, mas a consciência mantém-se, acentua-se, expande-se.

O objecto da meditação é a transcendência. Mas não devemos entender este termo como algo do domínio do misticismo ou do religioso. A transcendência pode e deve ser experimentada por todos, e existe, independentemente de qualquer religião. A transcendência é um estado da mente, da consciência. Não é uma crença. Não se trata de pensar na transcendência, desta ou daquela maneira. Por exemplo, pensar em Deus, no facto de ele ser transcendente, etc. Isso é mente activa, é mente envolvida no nível do pensamento, do intelecto. A Meditação Transcendental não é isso.

A Meditação Transcendental é uma técnica para permitir que a mente se recolha no seu próprio silêncio. Partindo do “barulho”, do “ruído”, dos pensamentos que assolam normalmente a mente, dos “turbilhões da mente”, para chegar à quietude, ao silêncio consciente, à paz interior, à serenidade do Ser. E o corpo aquieta-se quando a mente se aquieta. Ligado de forma indissociável à mente em repouso profundo, também o corpo obtém repouso profundo.

Esta meditação é um processo completamente natural, não envolve esforço. Trata-se apenas de criar o “ângulo correcto do mergulho”, que permite que a atenção mergulhe sem esforço, facilmente, e se dirija naturalmente para  níveis sucessivamente mais agradávies da actividade da mente. Transcenda os aspectos mais concretos, mais superficiais, mais “barulhentos”, com mais significado intelectual, para atingir os níveis mais abstractos, mais indistintos, mais rarefeitos do pensamento e, mesmo, transcendendo este nível, chegar ao nível da transcendência plena, da consciência transcendental, em pleno silêncio, paz e bem-aventurança ilimitadas. É a técnica para isto. É uma técnica. Uma tecnologia da consciência para o conhecimento do Eu, do Ser, Atma. Uma viagem muito bela.

Tenho que admitir que alguém, na posse desta tecnologia, possa, a partir daí, criar uma religião. Digamos mesmo, que muitas das principais religiões se construíram sobre a posse ou domínio total ou parcial desta tecnologia. A Meditação Transcendental para todos permite que, se assim o quiser, alguém possa criar a sua própria religião. Ou não. Alguns de nós precisam de ter uma religião, outros não. Uns aprofundarão os fundamentos da religião que já têm, outros, por ventura, as suas próprias convicções filosóficas, culturais, etc. E outros poderão também, porque não, alterar essas convicções.

A Meditação Transcendental é, assim, uma técnica de libertação, para chegar à verdadeira liberdade, uma liberdade só possível se for baseada numa consciência plenamente expandida, na utilização plena dos 100 por cento do nosso potencial mental disponível, por oposição à utilização de apenas 5 ou 10 por cento desse potencial, que os psicólogos afirmam ser a média geral da população. A ciência confirma-o, e ignorar a ciência e o estado do conhecimento científico actual neste domínio, como noutros, apenas pode levar ao insucesso e, mesmo, ao desastre.

Mais do que as religiões, nos nossos dias, quem deve usar esta tecnologia, são os estados, as diversas organizações sociais. O Governo é o espelho inocente da consciência colectiva da Nação. O chefe de um governo pensa, naturalmente, para si mesmo “o que posso fazer de melhor para o meu povo?” Melhorar a economia, melhorar os aspectos sociais, a saúde, etc., etc. Mas ele só pode fazer o que a consciência colectiva do seu povo permitir. Muitas vezes, ao mesmo tempo que entretém este pensamento, ele envolve o seu país em guerras, ou assina tratados de paz. Esta tem sido um pouco a história da humanidade. E isto acontece porque a consciência colectiva está manietada pelo stress individual dos cidadãos. Até há pouco tempo, o mundo não tinha descoberto, validado pela via do conhecimento científico, uma solução de base para os seus problemas ancestrais. A situação de hoje alterou-se. Os governantes têm agora ao seu dispor um vasto corpo de investigação científica que mostra como pode ser gerida a nossa sociedade, em paz, abundância e felicidade individual dos seus membros. Não usar este conhecimento pode ser considerado criminoso. E os cidadãos do futuro vão certamente responsabilizar os governantes por tão grave falha. De facto, como explicar a esses cidadãos que, havendo uma tecnologia disponível, que pode ser utilizada a qualquer momento e que produzirá efeitos a muito curto prazo (conforme mostra a investigação), na criação de uma sociedade livre e realizada, liberta de guerras, terrorismo, etc., alguém à frente de um governo, não use esse recurso imediatamente?


Portanto, como diriam os ingleses quanto à Meditação Transcendental, "what's in it for me?" O que tem qualquer pessoa, de qualquer estrato social, de qualquer proveniência geográfica e cultural, de qualquer sexo, de qualquer raça, de qualquer idade, de qualquer nível de conhecimento, de qualquer filiação religiosa ou filosófica, a ganhar com a prática da MT? Qual o retorno do investimento na aprendizagem e prática regular desta técnica de meditação, durante 20 minutos, duas vezes por dia? Onde está o ganho?

O ganho está na optimização da capacidade de perceber. De conhecer... ("conhece-te a ti próprio") a realidade essencial daquilo que somos como seres humanos e, conhecendo isso, conhecer tudo o resto que existe em redor. No entanto, este conhecimento não é de natureza intelectual, transcende a actividade da superfície da mente, é conhecimento do Ser. Ou, se quisermos, o Ser, como conhecimento. É cognição directa. É "Eureka!" É "Aha!" É uma associação íntima da percepção com a sua realidade essencial de consciência, de capacidade de conhecer.

A MT cria a condição na mente para que, de forma totalmente sem esforço, numa progressão natural na procura de campos de maior felicidade, a percepção marche em direcção à fonte do pensamento, aquele estado consciente donde são originados todos os pensamentos e que, em si mesmo, está quieto, sem excitação, em silêncio. Este é o campo de todas as possibilidades para a mente e para toda a vida que, uma vez experimentado, uma vez estimulado, aumenta o espectro de possibilidades de realização nas várias áreas da nossa vida. Tudo o que é bom para a mente aumenta com a experiência regular do Ser na Meditação Transcendental. 

Mais calma e silêncio interior mesmo quando estamos envolvidos na actividade mais exigente, maior inteligência, maior capacidade de dar atenção e de, assim, não desperdiçar oportunidades de realização que vão surgindo na nossa vida, maior capacidade de concentração quer no estudo quer na prossecução de objectivos, maior independência de campo e maior invencibilidade face aos desafios exteriores, mais doçura de coração, maior capacidade de amar e de dar, mais capacidade para agir correctamente de forma espontânea evitando os erros que comprometem a nossa realização, a concretização dos nossos desejos, maior felicidade.

Thursday, February 12, 2009

Karl Marx

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado". Karl Marx - Das Kapital (qualquer semelhança não é mera coincidência....!!!!)

Será quevamos mesmo virar marxistas?... Isto quase parece uma professia de Nostradamus... mas é pura ciência económica posta debaixo do tapete pelos "money masters" e seus escravos mesmerizados pela miragem da ganância e do lucro fácil. Mas o azeite vem sempre à tona...

Agora é só necessário mudar o programa violento de transformação da sociedade para um novo e realmente revolucionário programa, a revolução permanente da Meditação Transcendental que começa por cada indivíduo aceder à energia criadora dentro de si e acabará por infectar o mundo inteiro de... Paz. Aquela percepção que nos escancara a realidade de que a Terra sempre esteve no Céu e de que o Céu sempre esteve na Terra. Aqui e agora. O fim da fome, da iliteracia, das doenças facilmente evitáveis, da injustiça, do terrorismo - o Céu na Terra. Este é o programa que descobri em Maharishi em 1978, quando percebi que a revolução que terminara há pouco tempo, não era, afinal, a verdadeira revolução. A verdadeira revolução é a revolução que nos enche da percepção permanente do Ser eterno, que é a memória da Totalidade.

Emanuel